
Contudo, custa-me dar-me conta inclusive acreditar nessa realidade…
Senhor quantas vezes passas ao meu lado cada dia?...

Aprendi desde criança, que devemos dar. Aprendi também, que não nos devemos “gabar” daquilo que damos. Aprendi também que quanto mais damos mais temos. Quer uma ou outra coisa são extremamente difíceis… faço esse experiência todos os dias, sem dar por ela gabo-me do que dou, do que faço… Querem saber com quem a prendi isto, não devia dizê-lo mas vou partilha-lo. Foi com a minha mãe. Há coisas que se aprendem no ventre materno, vêm com aquele leite que se gera na maminha da mamã, diferente do leite que se compra na farmácia ou no supermercado.
Como qualquer cidadão português, eu gosto de vinho. Se por acaso não gosta devia de gostar! Mas para ter bom vinho é preciso cuidar da vinha.
Um dia destes o meu pai, um ancião de 80 anos pediu-me para lhe ajudar a podar as videiras e arranjá-las, atá-las, etc.
Andava com ele e veio-me este pensamento à cabeça: estamos em tempo de Quaresma. Pensando bem a Quaresma é um tempo de poda. Com o meu pai, podamos as ramas mortas, que impediam a árvore de crescer. Na nossa vida também é preciso fazer grandes cortes, isto é, grandes podas, mas usando a linguagem espiritual, grandes renúncias. É preciso dar um passo mais adiante na vida, com sabedoria e força.
Meus amigos, nem sempre é fácil, eu nem sempre consigo renunciar. São várias as razões: o medo de perder, o medo de ser criticado, o medo de não ser entendido e consequentemente ser rejeitado.
Nesta experiência, o meu pai ensinou-me que nem tudo se pode podar, cortar, não se pode cortar de qualquer maneira. É preciso saber escolher e depois cortar, para não fazer estragos.
A Quaresma é um tempo propício para isto. É uma ocasião privilegiada para olhar a própria vida.
Peçamos a Deus a luz para nos despojarmos dos ramos secos… que essa luz nos converta, muitas vezes em árvore frondosa que dá sombra aquele que passa pelo caminho no final do seu dia…
Vale a pena pensar nisto… porque é Quaresma…
Boa Quaresma para todos.


Numa época recheada de discussões e controvérsias, onde cada um tem algo a dizer, esta pergunta é aquela que mais tem surgido, no nosso dia-a-dia. As possibilidades de resposta, embora claras, parecem gerar um conflito de valores, e uma grande distinção entre posições políticas, éticas, económicas. Chega-se até a gerar um pequeno conflito entre gerações e vivências, algo que não é surpresa, uma vez que, estamos perante um tema mais ou menos recente que pode não ser de fácil aceitação por parte de pessoas mais conservadoras. Sendo assim, as opiniões dividem-se.
A pergunta é mais do que clara. O acto de abortar consiste na interrupção da gestação de um feto, seja por morte súbita deste (causada por algum factor imprevisível) ou pela provocação da mesma, extraindo o ser do útero materno. Ora, devemos nós permitir que esta última opção seja realizada? Devemos nós permitir que se provoque o aborto?
Ao interromper uma gravidez, estamos a impedir a gestação de um ser humano. Ser este que, sendo inocente, frágil e indefeso não tem por onde se defender. E nem pode, de todo, escolher o direito à vida, a um crescimento feliz (e não confundamos felicidade com posse de bens materiais) e a uma passagem terrena como aquela da qual qualquer um de nós está a usufruir. Ora interromper a vida, não é mais do que suspendê-la. Matar é suspender a vida. O aborto é a morte e abortar é matar.
Caberá a qualquer pai ou mãe, decidir sobre a vida de um filho? Terão os pais daquelas crianças assassinadas por eles mesmos, uma posse total sobre elas, que lhes justifique o acto macabro que praticaram?
Não. Ninguém é pertença de ninguém. E isto prova-o o livre arbítrio com que fomos presenteados, pela nossa existência racional. De facto, os nossos pais, professores e educadores, têm uma missão: a de nos transmitir valores saudáveis e úteis para a nossa vida. Mas isto não faz com que lhes pertençamos e, consequentemente, não lhes dá o direito de decidir por nós e em relação a nós. Não, o papel de um pai ou de uma mãe não passa por escolher a vida ou morte do seu filho.
Sendo assim, não é aceitável que se diga que só cabe a cada pai/mãe decidir sobre a legitimidade ou ilegitimidade do aborto que pretende ou não provocar.
Também se tem por costume recente, a tentativa de adivinhação sobre a data na qual começa a vida. Será aos 2, aos 10, aos 12 meses? Será no dia anterior ao nascimento, ou no dia a seguir á concepção? Será que a vida começa a meio da gestação ou apenas quando bate o músculo cardíaco? Quando há vida? Sabemos que tudo começa por uma probabilidade. O facto de sermos como somos, fisicamente, foi-nos ditado no dia em que um óvulo foi penetrado por um espermatozóide, seleccionado ao acaso. Aí se deram as necessárias alterações e configurações para que, de uma coisa tão pequena, surgisse o que somos hoje. Ora, nesse dia, não estávamos nós presentes nesse ovo?
Certo que, psicologicamente, ainda não (uma vez que, até ao último dia, estaremos sujeitos a alterações na nossa forma de ser e de estar), mas fisicamente, não éramos nós? Merecemos a vida e estamos a vivê-la. Lutemos por quem, como nós, tem direito a esse milagre. Impeçamos o aborto, não o aceitemos.
Como sabem os padres também se confessam…

Em homenagem à minha "prima" e AMIGA Célia Tereso, publico esta história, que ela partilhou comigo. Obrigado Célia… Um beijinho para ti.
Não devemos ter medo de partilhar as nossas emoções, os nossos sentimentos. Ultimamente assumo que ando muito cansado e até mesmo tristonho. Porquê? Não consigo responder a esta simples pergunta. Faz parte da minha personalidade. Algumas vezes refugio-me em mim, no meu silêncio, e não consigo perceber o que tenho.
Hoje a partir de uma passagem do livro dos Reis, e com a ajuda de alguns textos de apoio saiu esta reflexão.
Pode ser a tua voz que me envolve quando, no silêncio, sinto que não estou só.
Quando estremecem as minhas entranhas por ver a imagem dolorosa de alguém que sofre, e no meu íntimos ressoa: “é teu irmão”.
É essa emoção que em alguns momentos me leva a pensar no teu evangelho.
É esta inquietude que me impede fechar os olhos diante do mal, ainda que por vezes quisesse fazê-lo ou esquecer-me de tudo.
A alegria sensível, que por vezes faz com que se dissipem as trevas em que eu mesmo me encontro.
A Tua presença acompanha-me.
É esse espírito que me dá forças quando estava a ponto de render-me.
Alguma vez senti Deus, presente, a partir do meu silêncio?
Tenho na minha vida espaço para rezar?



Bolas é muito difícil ser coerente. Ás vezes pergunto-me se serve para alguma coisa ser coerente! Tendo a viver com distintos horizontes, distintas lógicas… às vezes sinto-me bem-aventurado, e outras sinto uma enorme revolta. Às vezes creio em ti até ao mais íntimo, e outros momentos nem me recordo de ti. Há ocasiões em que as minhas acções me falam de ti, e outras negam-te. Como viver Senhor, com a tua estranha lógica? Como atrever-me a afirmar-te sempre, na vida, em tantas ocasiões? Como tornar-te parte das minhas opções, do meu trabalho, das minhas relações, do meu ócio, dos meus desejos e dos meus projectos?
Mais um desafio amigos, para mim e para vós, todos vamos na mesma barca.
Há dimensões da minha vida nas quais Deus está ausente? (ou nas quais não poderia entrar?)Alguma vez o evangelho me colocou em encruzilhadas difíceis?
Quero subir com Jesus a Jerusalém?
Vamos participar com alegria e esperança…

Ao pensar um pouco no evangelho, proposto para a liturgia de hoje, (Jesus sobe para Jerusalém, lugar onde vai morrer, por nós), vieram-me ao pensamento umas palavras de S. Bernardo, um monge cisterciense e doutor da Igreja do século XII.
Transcrevo um pequeno trecho de Jean Tauler, dominicano, a propósito da festa que hoje celebramos: