Friday, September 22, 2006


O evangelho de hoje, trouxe-me à memória um texto de João Paulo II: Mulieris Dignitatem, § 16
O facto de ser homem ou mulher não comporta nenhuma limitação, tal como não limita em absoluto a acção salvífica e santificante do Espírito no homem o facto de ser judeu ou grego, escravo ou livre, segundo as palavras bem conhecidas do apóstolo: «todos vós sois um só em Cristo Jesus» (Gál 3, 28). Esta unidade não anula a diversidade. O Espírito Santo, que opera essa unidade na ordem sobrenatural da graça santificante, contribui em igual medida para o facto de que se «tornem profetas os vossos filhos» e se tornem profetas «as vossas filhas» (Jl 3,1). «Profetizar» significa exprimir com a palavra e com a vida «as grandes obras de Deus» (cf. At 2, 11), conservando a verdade e a originalidade de cada pessoa, seja homem ou mulher. A «igualdade» evangélica, a «paridade» da mulher e do homem no que se refere às «grandes obras de Deus», tal como se manifestou de modo tão límpido nas obras e nas palavras de Jesus de Nazaré, constitui a base mais evidente da dignidade e da vocação da mulher na Igreja e no mundo. Toda vocação tem um sentido profundamente pessoal e profético. Na vocação assim entendida, a personalidade da mulher atinge uma nova medida: a medida das «grandes obras de Deus», das quais a mulher se torna sujeito vivo e testemunha insubstituível.

Thursday, September 14, 2006

Transcrevo um pequeno trecho de Jean Tauler, dominicano, a propósito da festa que hoje celebramos:
«Hoje é o dia da Exaltação da Santa Cruz, cruz que merece o nosso amor, da qual esteve suspenso por amor o Salvador do mundo inteiro. Nosso Senhor disse: "Quando for elevado da terra, atrairei tudo a mim". Com isso ele quer dizer que quer atrair a si os nossos corações terrestres que estão possuídos pelo amor das coisas deste mundo; quer atrair a si a sede que temos dos prazeres e das satisfações da terra. A nossa alma, bela e orgulhosa, retida pelo gozo que tira de si mesma, pelo amor da satisfação material da nossa sensibilidade, quereria ele atraí-la totalmente - sim, para que seja assim elevado em nós e cresça em nós e nos nossos corações. Porque, para aqueles para quem Deus nunca foi grande, todas as coisas criadas são pequenas e as coisas passageiras são como nada.Esta bela cruz é Cristo crucificado elevado de forma inimaginável, bem acima de todos os santos, de todos os anjos, acima das alegrias, delícias e felicidades todas juntas. E, como a sua verdadeira morada é no mais alto dos céus, ele quer habitar no que há de mais alto em nós, isto é, no nosso amor e nos nossos sentimentos mais elevados, mais íntimos, mais delicados. Quer atrair os aspectos mais simples do nosso espírito e da nossa alma aos aspectos mais eminentes e até ele elevar tudo isso. Se o fizermos, atrair-nos-á também para a sua morada mais elevada e mais íntima... Tanto quanto eu lhe der agora o que me pertence, tanto ele me dará o que lhe pertence a ele.»

Thursday, July 20, 2006

Ando a ganhar coragem para reler a História de uma alma. Entretanto partilho convosco esta linda oração de Santa Teresa do Menino Jesus. Ah… e quem ainda não leu a história de uma alma ganhe coragem como eu e aproveite as férias para pensar um pouco na vida, através da História de uma Alma de Santa Teresinha.
Oração Nº 20
Ó Jésus! quando éreis Peregrino na terra dissestes: «Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração e achareis descanso para as vossas almas». Ó Poderoso Monarca dos Céus, sim, a minha alma acha o descanso ao ver-Vos, sob a forma e a condição de escravo (Flp 2,7), abaixar-Vos ao ponto de lavardes os pés aos apóstolos. Lembro-me então destas palavras que pronunciastes para me ensinardes a praticar a humildade: «Dei-vos o exemplo para que, aquilo que Eu vos fiz, o façais vós também; o discípulo não é mais do que o Mestre... Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes ao praticá-las» (Jo 13,15-17). Compreendo, Senhor, estas palavras saídas do Vosso Coração manso e humilde; quero praticá-las com o auxílio da Vossa graça. Quero abaixar-me humildemente e submeter a minha vontade à das minhas Irmãs, sem as contradizer em nada e sem procurar saber se elas têm ou não o direito de me dar ordens. Ninguém, ó meu Bem-amado, tinha esse direito em relação a Vós e no entanto obedecestes não apenas à Santíssima Virgem e a S. José, mas também aos Vossos algozes. Agora é na Hóstia que Vos vejo atingir o cúmulo dos Vossos aniquilamentos. Com que humildade, ó Divino Rei de glória, Vos submeteis a todos os Sacerdotes sem fazer qualquer distinção entre os que Vos amam e os que, desgraçadamente, são tíbios e frios no Vosso serviço. Ó meu Bem-amado, que doce e humilde de coração me apareceis sob o véu da branca Hóstia!... «Ó Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao Vosso!» (Mt 11, 29).

Monday, July 03, 2006

Gosto de ler e apreciar o Cardeal Carlo Maria Martini, transcrevo um pequeno trecho que achei interessante, para meditar em tempo de férias, para quem as tem, mas…, mesmo quem ainda não está de férias, como é o meu caso, faz bem pensar nisto…
A paz é a sensação de estar em casa. Ser operadores de paz significa construir relacionamentos serenos e normais. Não é preciso ser político de profissão para o fazer. Todos os dias, cada um de nós pode ajudar a simplificar as coisas, a arredondar as arestas, a atenuar os conflitos. Como seria diferente a nossa sociedade.

Monday, June 19, 2006

É urgente aprender a amar...

Viver de Amor, é dar sem medida
Sem reclamar salário aqui na terra.
Ah ! sem contar eu dou-me bem segura
De que, quando se ama, não se conta !...
Ao Coração Divino, transbordante de ternura
Dei tudo... ligeiramente eu corro
Nada tenho senão a minha única riqueza
Viver de Amor.

Viver de Amor, é dissipar o medo
Afastar a lembrança das faltas do passado.
Dos meus pecados não encontro vestígios,
Num breve instante o amor queimou tudo.
Chama divina, ó dulcíssima Fornalha!
No teu centro fixo a minha morada
É no teu fogo que eu canto alegremente:
«Vivo de Amor!...»

«Viver de Amor, que estranha loucura !»
Diz-me o mundo, «Ah! cessa de cantar,
«Não percas os teus perfumes, a tua vida,
Aprende a empregá-la utilmente!...»
Amar-te, Jesus, que perda fecunda!...
Todos os meus perfumes são teus para sempre,
Quero cantar ao sair deste mundo:
«Morro de Amor!»


Amar é dar tudo e dar-se a si mesma.

Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja Poesia 17 «Viver de Amor»

Nota: para além de comentar, claro, pode sublinhar a frase que lhe diz mais, ou diz alguma coisa...

Monday, June 12, 2006

Olá, tenho andado distante de tudo e de todos e até mim próprio. Hoje ao celebrar a eucaristia dei por mim a meditar nesta bem-aventurança: "Felizes os puros de coração: porque verão a Deus".
Nós queremos ver Deus, procuramos vê-lo, desejamos ardentemente vê-lo.
Quem não tem esse desejo?
"Felizes os puros de coração: porque verão a Deus".
Age de forma a que o vejas.
Comparando com as realidades materiais, como quererias contemplar o sol nascente com olhos doentes?
Se os teus olhos estiverem sãos, essa luz será para ti um prazer; se estiverem doentes, será para ti um suplício.
Certamente que não te será permitido ver com um coração impuro o que só se pode ver com um coração puro.
Serás afastado, desviado; não verás.
Quantas vezes é que o Senhor proclamou homens "felizes"?
Que motivos de felicidade é que ele citou, que boas obras, que dons, que méritos e que recompensas?
Nenhuma outra bem-aventurança afirma: "Eles verão a Deus".
Eis como são enunciadas as outras: "Felizes os pobres em espírito: porque deles é o Reino do Céu. Felizes os mansos: porque possuirão a terra prometida. Felizes os que choram: porque serão consolados. Felizes os que têm fome e sede de justiça: porque serão saciados. Felizes os misericordiosos: porque alcançarão misericórdia".
Portanto, nenhuma outra afirma: "Eles verão a Deus".
A visão de Deus é prometida quando se trata de homens de coração puro. E não é sem razão, porque os olhos que permitem ver Deus são os olhos do coração.É desses olhos que fala o apóstolo Paulo quando diz: "Possa ele iluminar os olhos do vosso coração" (Ef 1,18). No tempo presente, esses olhos, por causa da sua fraqueza, são iluminados pela fé; mais tarde, por causa do seu vigor, serão iluminados pela visão. "Vemos actualmente uma imagem obscura, como que num espelho; nesse dia, veremos face a face" (1 Co 13,12).

Thursday, June 08, 2006

Retalhos da vida de um padre...

Nestes últimos três anos tivemos bastantes problemas económicos, devido à crise económica que o nosso país vive. Para mim está a ser uma verdadeira prova de fogo. Vim diminuir o trabalho e as entradas serem cada vez menos exíguas. Comecei a chamar os meus clientes, para apresentarmos novos projectos com orçamentos melhores, mais baixos, por isso mais acessíveis, mas não chegavam mais encomendas.
Que fazer?
Em casa reduzi cada vez mais as despesas, procurando viver com menos.
Aprendi a adormecer apesar das dívidas, a estar mais com os meus filhos para que não lhes pesasse tanto a situação.
Recomecei a rezar, a pedir, com fé, ajuda ao céu.
A economia de Deus é diferente da nossa.
O Evangelho diz: “Dai e dar-se-vos-á” e nós verificamos isto na nossa pele todos os dias, das coisas mais pequenas até às maiores. Entretanto, fazemos todo o possível, recolher jornais, cartão, embalagens e garrafas de vidro para vender; as crianças fazem saquinhos de doces para vender, etc. No nosso bairro muitas pessoas batem à porta pedindo alguma coisa e por vezes demos a única coisa que tínhamos. Uma vez, a minha mulher ofereceu um quilo de arroz e na mesma tarde recebemos 2 quilos de lentilhas…
As crianças também recebem roupas e brinquedos.
Um dia chegou-nos um carro, deixado em frente à porta da nossa casa por uma vizinha que nos disse: “disponham dele, pagam-nos como puderem”.
Assim, de carro, pudemos levar a nossa terceira filha, nascida com a síndrome de Down, a fazer os tratamento necessários…

E fico por aqui hoje… mas antes partilho um pensamento de Óscar Romero: que belo será o dia em que, numa sociedade nova, em vez de acumular e guardar egoisticamente, se distribua, se partilhe e se divida, e todos se alegrem porque nos sentimos filhos do mesmo pai! Este é o projecto de Deus.

Saturday, June 03, 2006

Com a argila fazem-se as cantarinhas. Mas é o seu vazio que acolhe a água. Com madeira fazem-se as janelas, mas é o vazio delas que torna luminosa a casa.
Assim, se aquilo que se vê é útil, o essencial permanece invisível.
Que os Espírito Santo, invisível aos nossos olhos humanos e por vezes muito distraídos, nos liberte do pecado e encha a nossa vida dos seus dons: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência e piedade.

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou Se no meio deles e disse lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse lhes de novo: «A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

Jo. 20, 19-23

Thursday, June 01, 2006

Porque hoje é dia mundial da criança...


Existia um ilustre pensador na minha terra, que aproveitava tudo para penetrar na profundidade do pensamento e da vida. É um grande filósofo do país.
Apaixonado pela verdade, esta resistia-lhe, fugindo-lhe das mãos como uma enguia.
Por isso, quase já tinha renunciado a tanta procura e contentava-se em encontrar sentido para esta vida. “Quem sou eu e para que vivo”?
Nem as suas reflexões nem os seus debates com outros sábios o levaram muito longe. Nem sequer chegou a conclusões.
Uma tarde, enquanto a sua filha, de apenas cinco anos, brincava, o insigne pensador, entre o distraído e o carinhoso, quase maquinalmente, perguntou-lhe: “E tu, querida filha, sabes porque é que estás na terra”? A criança, sem pensar e sem sequer hesitar respondeu de imediato: “Para te amar papá, muito, muito…”.
Aprendamos a amar e descobriremos o verdadeiro sentida da nossa vida...

Tuesday, May 30, 2006



A alma não teria arco-íris se os olhos não tivessem lágrimas…

John Vance

Saturday, May 27, 2006

Esta manhã fui acordado por uma notícia inesperada.
Um rapaz de 24 anos, ontem à noite foi encontrado morto na linha do comboio. Não o conhecia, mas conheço os pais e a irmã, de quem sou particularmente amigo.
Esse acontecimento faz-me pensar uma frase que um dia li, e que nunca mais esqueci. É de Freud. Perguntam a Freud quando é que uma pessoa está madura. Ele responde: “A pessoa madura ama e trabalha em liberdade”.
Não basta ter um mundo afectivo para ser maduro. O que conta é a qualidade do amor, e esta depende do grau de liberdade interior com que se vivem as relações interpessoais. Não basta ser eficiente. A nossa sociedade gera muita gente activa, mas ansiosa, que, pelo trabalho, foge dos seus conflitos latentes.
Agora não basta chorar o passado: o que se fez ou o que se devia ter feito, mas sim olhar o futuro. Acreditamos que Deus é amor, misericórdia e por isso já acolheu este irmão na sua glória, a nós que ficamos e sentimos a saudade, sofremos o vazio da ausência, é nos pedido, que vivamos os nossos conflitos latentes com a ajuda e a graça do Senhor. Também este facto nos deve ajudar a celebrar melhor a Ascensão do Senhor. O Senhor vai à nossa frente para nos abrir o caminho, acompanhê-mo-lo...
Bom Fim-de-semana a todos…

Naquele tempo, Jesus apareceu aos Doze e disse-lhes:
«Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura.
Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado. Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demónios em meu nome; falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem veneno, não sofrerão nenhum mal; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados». E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles partiram a pregar por toda a parte e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.

Mc.16, 15-20

Wednesday, May 24, 2006

O meu areópago...


No Evangelho de hoje encontramos uma das seis tarefas que Jesus atribui ao Espírito Santo: conduzir os discípulos à verdade plena.
Como falar hoje do espírito Santo a um mundo vazio de espírito? Rico de matéria e submerso na incredulidade…
Para Paulo também não foi fácil falar de Deus aos atenienses. Recordo com saudade a viagem que fiz a este espaço no verão passado, onde me coube a mim ler esta passagem.
Paulo foi original, partiu da inscrição do altar: “ao Deus desconhecido”, e depois centrou o seu testemunho no conhecimento de Deus em quem vivemos, nos movemos e existimos.
Hoje, nós que somos Seus discípulo/a(s), devemos também estar atento/a(s) para descobrirmos em que nível, em que grau de conhecimento de Deus se encontram o/a(s) nosso/a(s) irmãos e irmãs.
No mundo onde nos movimentamos, frequentemente, a acreditamos num Deus que fazemos à nossa medida, nivelando o Seu pensar com nosso, as Suas razões com as nossas.
Todos sabemos muitas coisas de Deus; inclusive, falamos muitas coisas acerca Dele, mas de uma forma superficial, passamos ao lado do que Deus quer: que O conheçamos, que saboreemos o Seu amor pessoal por cada um e cada uma de nós, e que vivamos com filhos e filhas profundamente amado/a(s) por Ele.
E que tal pensar um pouco nisto hoje…



De pé, no meio do Areópago, Paulo disse, então:«Atenienses, vejo que sois, em tudo, os mais religiosos dos homens.
Percorrendo a vossa cidade e examinando os vossos monumentos sagrados, até encontrei um altar com esta inscrição: ‘Ao Deus desconhecido.’ Pois bem! Aquele que venerais sem o conhecer é esse que eu vos anuncio.O Deus que criou o mundo e tudo quanto nele se encontra, Ele, que é o Senhor do Céu e da Terra, não habita em santuários construídos pela mão do homem, nem é servido por mãos humanas, como se precisasse de alguma coisa, Ele, que a todos dá a vida, a respiração e tudo mais. Fez, a partir de um só homem, todo o género humano, para habitar em toda a face da Terra; e fixou a sequência dos tempos e os limites para a sua habitação, a fim de que os homens procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo, mesmo tacteando, embora não se encontre longe de cada um de nós. É nele, realmente, que vivemos, nos movemos e existimos, como também o disseram alguns dos vossos poetas:‘Pois nós somos também da sua estirpe.’

Actos 17, 22...

Tuesday, May 23, 2006

Hoje partilho apenas esta linda meditação do Cardeal Newman:
Meu Deus, eterno Paráclito, adoro-Te, Luz e Vida. Poderias ter-Te limitado a enviar-me de fora bons pensamentos, para além da graça que os inspira e os realiza; poderias conduzir-me pela vida dessa maneira, limitando-Te a purificar-me, pela Tua acção interior, no momento da minha passagem para o outro mundo. Na Tua compaixão infinita, porém, entraste na minha alma desde o começo, dela Te apossaste, dela fizeste o Teu templo. Pela Tua graça, habitas em mim de modo inefável, unindo-me a Ti e a toda a assembleia dos anjos e dos santos. Mais ainda, estás pessoalmente presente em mim, não apenas pela Tua graça, mas pelo Teu próprio ser, como se, mantendo embora a minha personalidade, eu fosse de alguma maneira absorvido em Ti, a partir dessa vida. E, como quiseste mesmo apossar-Te do meu corpo, na sua fraqueza, ele se tornou igualmente templo Teu (1 Cor 6, 19). Verdade espantosa e temível! Ó meu Deus, creio que assim é, sei que assim é!
Poderei pecar, estando Tu tão intimamente comigo? Poderei esquecer Quem está comigo, Quem está em mim? Poderei expulsar o hóspede divino por via daquilo que Ele abomina mais do que tudo, da única coisa que pode ofendê-Lo, da única realidade que não é Sua? […] Meu Deus, possuo uma dupla segurança contra o pecado: a primeira é o temor de semelhante profanação, na Tua presença, de tudo quanto és em mim; a segunda é a confiança de que essa mesma presença me protegerá do mal. […] Nas provas e na tentação, chamarei por Ti. […] Graças a Ti, nunca Te abandonarei.
Cardeal John Henry Newman

Monday, May 22, 2006

Quando compreender o amor, então aprenderei a amar…

Este Fim-de-semana foi para mim muito agitado.
Celebramos na cidade a Bênção dos Finalistas do Politécnico. Sou o responsável por esse sector da pastoral, por isso imaginem como foi, uma correria, mas tudo bem, correu bem, graças a Deus. Os estudantes portaram-se bem… Como sempre.
Hoje ecoam ainda em mim as palavras do evangelho deste domingo: Permanecei no meu amor… Sereis meus amigos se fizerdes o que vos mando - Amai-vos uns aos outros como eu vos amei…
O senhor dá-nos um mandamento novo: o do amor mútuo e gratuito. Novo porque acrescenta: como eu vos amei… E ao acrescentar como eu vos amei distingue-o do amor natural. Isto é, um amor que nasce em Deus e que é derramado nos nossos corações, e que nos capacita a amarmos como Ele amou. É um amor que nos renova, que faz de nós homens novos, herdeiros da nova aliança.
A capacidade de amarmos sem medida e gratuitamente não está apenas dependente das nossas capacidades de amar mas sim do permanecermos no seu amor. É d’Ele que nos vem a força e a capacidade de amarmos como ele nos amou.
Como diz Luigi Giussani “A lei da vida não é ter isto ou aquilo, mas é amar. Tanto é verdade que foi precisamente o amor que gerou o mundo e que criou a história com um significado”.
Boa semana para todos


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa. É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».
(Jo 15, 9-17)

Saturday, May 20, 2006

Criminosos, assassinos, vítimas, inocentes…

Fiquei deveras admirado, quando na quinta-feira, enquanto jantava, a correr como sempre, ia dando uma espreitadela no noticiário, de um dos canais televisivos.
A certa altura aparece uma reportagem acerca da reabertura da Praça de Touros do Campo Pequeno, agora restaurada.
À porta uma enorme manifestação, pelo que me apercebi, organizada por uma associação de defesa dos direitos dos animais.
De tanto barulho, gritaria, raiva, sobressaía uma palavra: assassinos!..., criminosos!...
Todos temos direito à livre expressão.
Mas pergunto-me são assassinos, os toureiros, os bandarilheiros, certamente os aficionados, etc.?…
Quem gritava eram sobretudo mulheres, uma até foi focada de frente, da sua boca saía uma raiva mortífera…
Quantas daquelas que ali gritavam não provocaram livremente aborto? Sim digo livremente aborto… essas o que são? Vítimas, inocentes…
Como somos cobardes, gritamos, melhor, berramos a favor daquilo que Deus criou para serviço do homem e portando também deve ser respeitado, e ignoramos o essencial. Os inocentes, que não têm voz, que vivem silenciosamente no ventre materno. Somos a obra essencial, prima das mãos de Deus. Somos o centro da criação.
Invertemos tudo, até a ordem de valores.
Onde queremos parar?
Desculpem-me o desabafo….

Friday, May 19, 2006

A propósito do mandamento novo…



«É este o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei»

Encontrei este texto de São Clemente de Roma que não podia deixar de partilhar convosco.
Diz São Clemente: quem possui o amor de Cristo cumpre os mandamentos de Cristo. Quem pode descrever o «vínculo da caridade divina» ou narrá-lo? Quem pode exprimir a magnificência da sua beleza?
A altura a que nos leva a caridade é inexprimível. A caridade une-nos a Deus; a caridade «cobre a multidão dos pecados»; a caridade tudo aceita, tudo suporta com paciência. Nada há de indigno na caridade, nada de soberbo nela. A caridade não admite divisões, não promove discórdias, tudo realiza em perfeita harmonia. Na caridade encontram a perfeição todos os eleitos de Deus e, sem ela, nada é agradável a Deus. Pela caridade o Mestre atraiu-nos a Si. Pela sua caridade para connosco, Jesus Cristo nosso Senhor, segundo a vontade divina, derramou o Seu Sangue por nós, imolou a Sua Carne para redimir a nossa carne, deu a Sua Vida para salvar a nossa vida.
Neste final de semana vale a pena pensar um pouco como vai a nossa caridade…

Thursday, May 18, 2006


Como todos sabemos Sócrates era um filósofo grego. Na Grécia Antiga, Sócrates possuía elevada reputação e era muito estimado pelo seu elevado conhecimento, cultural, cientifico e como não podia deixar de ser filosófico.
Um dia, um conhecido do grande filósofo aproximou-se dele e perguntou-lhe:– Sócrates, sabes o que acabei de ouvir acerca de um amigo teu?
– Espera um minuto, respondeu Sócrates! Antes de me dizeres o que quer que seja, gostava de te fazer um teste. Chama-se o "teste do filtro triplo."
– O que é isso do filtro triplo?
– Escuta, continuou Sócrates, antes de me falares do meu amigo talvez fosse uma boa ideia parares um momento e filtrares aquilo que me vais dizer. Por isso lhe chamei o filtro triplo...
...e continuou ainda: O primeiro filtro é VERDADE: tens a certeza absoluta de que aquilo que me vais dizer é indiscutivelmente verdadeiro?
– Não, disse o homem... acontece que eu ouvi dizer que...
– Então, disse Sócrates, não sabes se é verdade. Passemos ao segundo filtro, que é BONDADE: o que me vais dizer sobre o meu amigo é bom?
– Não, muito pelo contrário...
– Então, continuou Sócrates, queres dizer-me algo mau sobre ele e não sabes se é ou não verdadeiro. Mas, vá lá, pode ser que ainda passes no terceiro filtro. O último filtro é UTILIDADE: o que me vais dizer sobre o meu amigo será útil para mim?"
– Não, acho que não...
– Bom, concluiu Sócrates, se o que me vens dizer não é bom, nem útil e muito menos sabes se é verdadeiro, para quê dizeres-me?"

É assim a vida, todos os dias acontece isto, me vêm com histórias de amigos meus… mas o pior é que eu também faço o mesmo…
Já pensaste nisso?

Wednesday, May 17, 2006



É uma lei da vida humana, tão certa como a da gravidade: para vivermos plenamente, precisamos de aprender a usar as coisas e a amar as pessoas… não a amar as coisas e a usar as pessoas…

Tuesday, May 16, 2006

Hoje encontrei uma senhora, mãe de dois filhos, disse-me coisas encantadoras do filho mais velho: estudioso, limpo, educado, sempre atento à família, enfim atinadinho… este meu filho é o retrato vivo do pai…
De repente apareceu o filho mais novo, este padre, não estuda, é birrento, caprichoso, preguiçoso, refilão, e muito mais coisas que agora não me recordo, e terminou a adjectivação do filho mais novo dizendo, não sei a quem terá saído este menino…
O filho farto de tanta comparação, ofensiva e humilhante, furioso e irónico, disse Sabes mamã, estou tão orgulhoso de ti que gostaria que pelo menos alguma vez dissesses que sou o teu retrato vivo…

Monday, May 15, 2006

Família...

A família é lugar de esperança. Apesar de tudo é a melhor garantia de salvaguarda dos valores pessoais. É o correctivo mais válido para as deformações do mundo tecnificado, racionalista, massificado, violento e nada acolhedor. É a possibilidade mais digna para a expressão: amor, emoção, relação interpessoal.
Esta família está doente, é preciso cura-la, salva-la.
É preciso redescobrir o significado da palavra amor. Ai poderá estar o início da cura.
A família nasce de uma esperança na qual a promessa de fidelidade no amor arrancará ao futuro a sua imprevisibilidade. Cresce na esperança de que as dificuldades não são mais do que a expressão de «um ainda não», à procura de plenitude, tentando resistir a considerar facilmente como «um nunca mais».
A família culmina na esperança de que a obra cumprida em fidelidade seja considerada como garantia de uma plenitude, pela qual se suspirou desde sempre…