Friday, May 12, 2006

Depois do post de ontem vejam lá o que me aconteceu…
Estava eu a paramentar-me (vestir as vestes litúrgicas) para celebrar a eucaristia, 7:55H, mais coisa, menos coisa, entra pela sacristia dentro alguém a pedir para conversar comigo. Fico extremamente nervoso quando isto acontece, gosto que os 10m que antecedem a celebração sejam de concentração. Assim dou a imagem de alguém que sabe o que quer e o que faz. Mas não é assim… Disse à pessoa que agora não podia, estava em cima da hora. Entretanto ia-me paramentando sem olhar muito directamente para a pessoa. A pessoa foi falando e desabafando, de que a sua filha não podia ir ao encontro de preparação para o sacramento da confirmação, que se realiza no próximo sábado. Eu, sempre a despachar e todo mordido por dentro lá fui dizendo que não concordava e que ela é que sabia, pois já era crescida para assumir as consequências das opções tomadas. Não escutei esta pessoa, que tinha necessidade de ser compreendida, amada e escutada, e eu não me senti válido, fui apenas um simples funcionário… A pessoa saiu e eu entrei para começar a missa. Durante o exame de consciência inicial dei-me conta do seguinte:
Eu tive uma oportunidade de amar e escutar e não foi esta a minha opção. A minha opção tinha sido outra, a de não me chateie, diga rápido o que quer e siga o seu caminho, não escutei, por isso não compreendi.
Só posso ser feliz quando escutar com o coração. Quanto perceber com o coração aquilo que o outro me diz, não o que eu quero ouvir, ou o que julgo que tem que ser, mas o que de facto o outro tem para me dizer, sem julgar. Assim sentir-me-ei amado pertença, válido, caso contrário não passará de mais um momento de revolta, de frustração...
Como é difícil amar, compreender e escutar…
Que Deus nos ajude!

4 comments:

Manuel said...

Asim, de repente, lembro-me de 3 ou 4 situaçöes semelhantes... Quando damos por nós, estamos a agir como maus funcionários públicos... :)

MiguelGomes said...

Curioso, não é? Como independente do momento, quando menos esperamos, surge algo ou alguém que põe à prova o que acreditamos e, na verdade, reprovamos... Porque ainda somos muito nós, egoistas, sem sermos nós mesmos... Quando somos nós mesmos, estamos ligados com as pessoas, pois não podemos ser nós mesmos sem ter em nós tudo o que nos rodeia... Paradoxal...

JoaoR said...

Realmente muitas situações identicas acontecem no quotidiano (no meu pelo menos, uma vez por outra) E eu tento lembrarme de algo que aprendi:
Escutar o que a pessoa tem para ouvir,
Fazer silêncio para reflectir sobre o que se ouviu,
E só depois dar a resposta...
Não veja isto como uma critica sequer, afinal, nem eu, me consigo lembrar desta pequena "regra"...

lua said...

Um Padre deixa de ser humano (com os seus defeitos e qualidades) quando veste a batina?